A vez do outsourcing


Terceirizar a área de TI é a opção de muitas empresas. Saiba mais sobre essa tendência do mercado e confira vantagens e desvantagens de trabalhar como terceirizado

Por Marcela Britto


Com certeza você já ouviu falar em outsourcing, não é? Muito em moda hoje em dia, essa palavra aparentemente complicada tem sido usada no mercado como sinônimo de terceirização. Ou seja: uma companhia está praticando o outsourcing quando contrata profissionais de empresas prestadoras de serviços, em caráter temporário.

A terceirização não é algo novo no mercado. Há anos ocorre em várias áreas das empresas e de uns tempos pra cá vem atingindo também o setor de TI das corporações.

- Existe atualmente uma forte tendência das empresas a terceirizar tudo o que não se refere ao seu core-business, e isso muitas vezes inclui o setor de tecnologia. Toda a parte operacional das empresas está sendo feita por pessoas de fora das companhias, enquanto as empresas concentram a parte de negócios, os setores estratégicos – confirma a consultora da Foco RH, Renata Schmidt.

Área estratégica

O diretor-presidente da Impacta Tecnologia, Célio Antunes, afirma que a terceirização é estimulada pela crescente competitividade do mercado, o que exige que as empresas tenham um foco de negócio muito bem definido. Mas ele alerta que as empresas ainda são um pouco resistentes à terceirização do setor de tecnologia por receio de perder o controle sobre a segurança de informações estratégicas.

- Este medo está sendo quebrado aos poucos, pois a área de tecnologia está se tornando muito complexa e saber acompanhar as novas tecnologias e aplicá-las corretamente, com segurança, é muito caro para as empresas. Por isso estamos vendo hoje a terceirização de setores como desenvolvimento de sistemas, helpdesk, suporte técnico, treinamento, entre outras – analisa Antunes.

Relação custo-benefício

A gerente de Recursos Humanos e Outsourcing da consultoria Nova Base, Dáurea Soldado, concorda que a redução de custos é um fator que tem impulsionado a terceirização. A Nova Base é uma prestadora de serviços na área de TI e, segundo a gerente de RH, companhias de telecomunicações e bancos são os recordistas na terceirização do setor de TI. Já as indústrias são mais contidas nesse sentido.

Para Renata Schmidt, da Foco RH, optar pelo outsourcing é realmente vantajoso para as corporações, pois dessa forma as empresas não sobrecarregam seus quadros de funcionários e reduzem as despesas com o pessoal efetivo.

Mas Célio Antunes observa que, algumas vezes, as despesas com profissionais terceirizados podem ser maiores do que os custos com funcionários efetivos, pois as consultorias costumam ser altamente especializadas e cobram caro pela prestação de serviços. Ainda assim, na opinião de Antunes, terceirizar a área de TI é vantajoso para as empresas.

- As empresas ganham no cumprimento de prazos e na rapidez na implementação de soluções para o seu negócio, entre outras coisas. O custo para terceirizar pode até ser maior, mas o retorno estará no aumento da produtividade e no número maior de clientes, que na realidade terá reflexos financeiros positivos para a empresa – argumenta o diretor da Impacta Tecnologia.
 

Adeptos da Terceirização
 


A Embratel é um exemplo de corporação que terceiriza parte de sua área de Tecnologia. Segundo o gerente de Projetos da companhia, Walter Krause, todas as áreas da empresa têm um núcleo principal de funcionários que atuam constantemente, e um percentual terceirizado que pode ser aumentado quando necessário.

Atualmente, 40% dos profissionais da área de TI da empresa são prestadores de serviços. Krause admite que a redução de custos pesou na escolha da Embratel pela terceirização, mas ele garante que outros fatores também foram levados em consideração.

- Os principais motivos para optarmos pela terceirização foram o aperfeiçoamento tecnológico e a redução de custos. Temos muita gente trabalhando na Embratel e seria complexo oferecer treinamento para todos. Terceirizando parte do pessoal fica mais fácil garantir o treinamento de todos, pois a responsabilidade pelo treinamento dos terceirizados fica com a empresa que terceiriza – justifica Krause.

O gerente de Projetos da Embratel acrescenta que praticar o outsourcing também é vantajoso para empresas que costumam trabalhar com picos de demanda.

- Quando temos uma demanda maior de serviços, contratamos o pessoal chamado “flutuante”, que são os terceirizados, porque contratar por um período e demitir depois é mais trabalhoso. A terceirização oferece agilidade ao processo de colocar pessoas de acordo com a necessidade – observa Krause.

Outra empresa que entrou na onda do outsourcing é a Vale Refeição. De acordo com o gerente de Informática da empresa, Antônio Baeta, 90% dos funcionários da Vale-Refeição são terceirizados.

- Todos os nosso projetos externos são executados por profissionais de fora da empresa. Apenas os projetos internos ficam sob a responsabilidade de funcionários da Vale-Refeição que atuam pela CLT, ou que trabalham como pessoa jurídica. Hoje percebo que a maioria dos profissionais prefere trabalhar como terceirizado – revela Baeta.

Opção de carreira

Já que trabalhar como terceirizado é uma tendência cada vez mais forte na área de tecnologia, é importante saber quais são seus prós e os contras para o profissional de TI. Para Célio Antunes, a Impacta Tecnologia, o profissional sai ganhando – e muito – ao trabalhar dessa forma.

- Perde-se o status da carreira tradicional em TI, mas as vantagens de trabalhar como terceirizado são maiores. O terceirizado ganha mais treinamento, especialização e valorização de sua figura como consultor, o que é bom – opina o diretor-presidente da Impacta Tecnologia.

A gerente de RH e outsourcing da Nova Base divide os profissionais de TI em dois grupos: os que gostam de fazer carreira em uma única empresa e os que gostam de mudar sempre. E ela observa que os que fazem parte do segundo grupo geralmente escolhem a terceirização.

- Os profissionais do primeiro grupo querem estabilidade e são menos valorizados no mercado. Já os do segundo grupo estão a todo tempo buscando coisas novas, aprendendo a desenvolver novas tecnologias, e por isso costumam ganhar mais. Mas existe campo para os dois tipos, porque eles ainda são escassos no mercado – afirma Dáurea Soldado.

O gerente de Projetos da Embratel propõe uma outra divisão: profissionais que estão em alta na demanda das empresas, e os que estão em baixa. De acordo com Walter Krause, esse é o aspecto determinante pela escolha ou não do modelo da terceirização.

- Se profissional de TI estiver bem demandado no momento, trabalhando como terceirizado o seu crescimento e sua remuneração podem ser maiores. Mas se ele é um profissional “comum”, que já existe no mercado em boa quantidade, é mais vantajoso trabalhar como CLT na empresa – recomenda Krause.

 

Direitos Trabalhistas
 

De acordo com o advogado trabalhista Abelardo Trabuco, mesmo sendo terceirizado o profissional tem todos os direitos previstos na CLT, como férias, 13º salário, aviso prévio, fundo de garantia e seguro-desemprego. A única diferença é que quem paga esses direitos não é a empresa em que o profissional atua, e sim a consultoria pela qual ele trabalha.

- A empresa prestadora de serviços deve pagar todos os benefícios aos seus funcionários, e responder por todas as questões trabalhistas. A empresa contratante da consultoria é que não tem nenhuma responsabilidade sobre isso – explica Trabuco.

Dáurea Soldado, da Nova Base, garante que os consultores da empresa são funcionários da companhia, e recebem todos os benefícios a que têm direito. Mas nem sempre isso acontece. É comum que as consultorias deixem de lado os direitos trabalhistas dos prestadores de serviço, propondo salários mais altos aos profissionais. Preocupada com isso, a Embratel adotou a postura de exigir a garantia de benefícios para as profissionais que terceirizam.

- Queremos que as empresas prestadoras de serviços tenham todo o cuidado com os seus consultores, até mesmo para evitar que essas pessoas saiam da empresa. A Embratel tem profissionais terceirizados que estão aqui há muito tempo, e portanto não temos interesse em que haja troca desse pessoal – revela Walter Krause.

Integração total

Se trabalhar como terceirizado pode ser uma boa opção do ponto de vista financeiro, esta também é a melhor escolha quando o assunto é integração com os funcionários efetivos das empresas? Segundo o gerente de Educação da Cisco Systems no Brasil, Fernando Moura, integrar quem não é da empresa, mas está na empresa, é até uma tarefa simples.

- O segredo é tratar todos da mesma forma. Os terceirizados da Cisco têm crachá igual ao dos funcionários da empresa, por exemplo. Todos têm acesso aos mesmos equipamentos e à mesma infra-estrutura da companhia. O relacionamento entre funcionários e consultores na empresa é muito bom por causa disso – conta Moura.

Segundo Walter Krause, na Embratel acontece a mesmíssima coisa. A relação entre terceirizados e efetivos é totalmente tranqüila porque a empresa procura manter a igualdade entre os dois grupos, evitando que os consultores tenham que pedir autorização aos funcionários para qualquer coisa.

E já que não há empecilhos aparentes, cabe a você, caro profissional de TI, avaliar se o sistema de terceirização é adequado ao seu perfil. Pense bem e boa sorte!

 

Extraído do website da Revista TI

* http://www.timaster.com.br/